terça-feira, 19 de março de 2013

A Trágica História de Saartjie Baartman


Ela foi escravizada por colonos holandeses. Antes, porém, como parte dos costumes de sua tribo, sofreu uma alteração na genitália, chamada de Cortina da Vergonha, que deixou os seus pequenos lábios com 10 cm de comprimento a partir da vagina, medidos quando ela estava de pé. Como boa parte das mulheres de sua tribo, Saartjie tinha imensas nádegas, hipertrofia conhecida como esteatopigia.

Saartjie "Sarah" Baartman (1789- 1815) foi a mais famosa de, pelo menos, duas mulheres hotentotes usadas como atrações secundárias de circo n Europa sob o nome de Vénus Hotentote. Saartjie Baartman nasceu no seio de uma família Khoisan no vale do rio Gamtoos, na atual província do Cabo Orienta, na África do Sul. 

Aos 19 anos, Saartjie foi levada para Londres por Hendrick Cezar, irmão de seu proprietário, com a justificativa de que eles fariam muito dinheiro a apresentando em "circos de horrores".

A escrava era exibida como um ser meio humano, meio macaco, domado na parte mais selvagem da África. Nestes shows, dançava como um animal e, por um pagamento extra, o público podia tocar suas nádegas. A sua exibição em Londres causou escândalo, tendo a sociedade filantrópica African Association criticado a iniciativa e lançado um processo em tribunal. Durante o seu depoimento, Sarah Baartman declarou, em holandês, não se considerar vítima de coação e ser seu perfeito entendimento que lhe cabia metade da receita das exibições. 

Os grupos de defesas dos negros da época conseguiram proibir o show na Inglaterra, o que levou seu dono a vendê-la. No final de 1814, Saartjie foi vendida a um francês, domador de animais, que viu nela uma oportunidade de enriquecimento fácil. Considerando que a adquirira como prostituta ou escrava, o novo dono mantinha-a em condições muito mais duras. 

Na França, ela foi ainda mais humilhada, e as apresentações ficaram ainda mais agressivas. Em Paris, cientistas do Museu de História Natural requisitaram ao dono de Saartjie que ela fosse alugada para estudos. Foi exposta a multidões que zombavam dela. Era alvo de caricaturas, mas chamou também o interesse de cientistas e pintores. Cientistas fizeram vários desenhos de seu corpo, tiraram suas medidas e observaram seus costumes como se ela fosse um animal exótico.
Foto meramente ilustrativa
Por fim, doente e viciada em álcool, foi obrigada a se prostituir até morrer de doenças venéreas e pneumonia, em 29 de dezembro de 1815. Para não ter de pagar o enterro, o domador de animais vendeu o cadáver ao Musée de l'Homme (Museu do Homem), em Paris, onde foi feito um molde em gesso do corpo. Os resultados da autópsia foram publicados e consta que Saartjie era uma mulher “inteligente, com excelente memória e fluente em holandês”. Além do molde em gesso, o esqueleto, os órgãos genitais e o cérebro, conservados em formol, estiveram em exibição até 1974. Ela foi dissecada e seus órgãos (inclusive genitais) exibidos em aulas. O corpo foi totalmente investigado e medido, com registro do tamanho das nádegas, do clitóris, dos lábios e dos mamilos para museus e institutos zoológicos e científicos.

A partir da década de 1940, foram feitos apelos pela devolução dos seus restos mortais. Quando se tornou presidente da África do Sul, Nelson Mandela requereu formalmente à França a devolução dos restos mortais de Saartjie Baartman. Após inúmeros debates e trâmites legais, a Assembleia Nacional francesa acedeu ao pedido. Os restos mortais de Baartman foram inumados na sua terra natal em 3 de maio de 2002.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Saartjie_Baartman