terça-feira, 27 de setembro de 2011

ADAMOR GUEDES: Seis anos de IMPUNIDADE!


Uma das maiores líderes do movimento gay no Brasil, Francisco Adamor Lima Guedes, 40, foi morto com uma facada no pescoço na madrugada do dia 27/09/2005 em seu apartamento, na rua Ramos Ferreira, bairro Aparecida, Zona Sul. O crime aconteceu por volta de 1h e os suspeitos Ronildo Mendes da Silva, 19, Adriano de Souza, 18 e Lineu Pereira Guedes, 24, confessaram a participação no assassinato. Adamor era presidente da Associação de Gays, Lésbicas e Travestis (AAGLT), e sua morte causou comoção entre líderes da comunidade homossexual e entidades defensoras dos direitos humanos no Brasil e exterior.

O bárbaro crime foi cometido com requintes de crueldade, sangue frio e selvageria. A violência mobilizou toda a polícia de Manaus, uma vez que Adamor Guedes era conhecido no mundo inteiro, em virtude de sua atuação contra o preconceito.

Entidades ligadas a Associação de Saúde Integral e Cidadania na América Latina e Caribe (Asical), com sede em Quito, no Equador, receberam um boletim sobre a morte do ativista, que foi veiculado no sites das principais associações de defesa dos direitos dos gays, lésbicas e transgêneros do mundo. O presidente da Asical, Orlando Montoya, na época, disse que seria desencadeada uma campanha internacional de protesto pela morte de Adamor Guedes.

Familiares e amigos de Adamor contestaram a hipótese de tentativa de assalto. "Não acredito que seja roubo. Não levaram nada da casa dele. Tentaram levar uma televisão, mas não conseguiram. Para mim esse foi mais um crime contra gays no Amazonas, que é um dos Estados campeões nesse tipo de violência", lamenta a vice-presidente da AAGLT, Bruna La Close, 31, amigo de Adamor. O combate à homofobia (medo ou desprezo aos homossexuais) era uma das principais bandeiras de luta de Adamor durante seus mais de 13 anos de militância no movimento gay.

Adamor Guedes tornou-se, nos últimos anos de vida, a voz pública dos homossexuais. Lutou para que tivessem uma organização mais qualificada e politicamente ativa. Sua insistência e determinação abriu portas tradicionalmente fechadas, e instaurou diálogos importantes na área da saúde, da educação e da garantia dos direitos humanos. Buscou as mais diferentes instituições, acreditando na possibilidade de realizar trabalhos que minimizassem os riscos dos homossexuais e promovessem uma noção de respeito. Levou o movimento para a rua; convidou a população a olhar de outra forma, a se aproximar, a discutir as diferenças e descobrir que pode conviver, bem, com elas. Assassinado, Adamor deixa como legado a sua resistência, como espécie de último ato para que outros Adamor soltem a voz e façam continuar a batalha.


A indiferença com que a discriminação e os assassinatos são tratados, nesta cidade, evidencia a necessidade de o movimento social organizado enfrentar, a partir de uma outra postura, essa mazela. Indiferença é uma forma de cumplicidade e de aceitação. Manaus deve incomodar-se em ser parte de um ranking que envergonha e atenta contra os princípios fundamentais da humanidade. Que a trágica morte de Adamor Guedes represente uma oportunidade para a sociedade se pronunciar, com veemência, contra a violência e pela defesa da vida; e os homossexuais tenham, nesta cidade, um tratamento de respeito. O que se tem hoje é ato de selvageria, não pode continuar.

Seis anos de impunidade


O criminosos foram presos, mas em 14 de janeiro de 2006 os três réus confessos foram soltos. Assim, seis anos depois o Caso Adamor Guedes caminha rumo a impunidade. O processo ainda não foi julgado, os acusados (RÉUS CONFESSOS) estão em liberdade, as testemunhas de acusação calaram-se e a a Justiça tende a arquivar o processo por falta de provas.

No Brasil, onde a impunidade virou rotina, o Caso Adamor Guedes está sendo mais um exemplo a fazer parte das estatísticas de impunidades que revoltam a sociedade e depois caem no esquecimento até quando mais um crime bárbaro aconteça e volte a tomar conta das manchetes dos jornais.